No Man’s Sky é o exemplo mais recente de algo que acontece na indústria dos games desde que o mundo é mundo: os trailers mentirosos.

Nesta lista vamos conhecer alguns casos mais irritantes, onde a empresa foi bem cara-de-pau em nos prometer uma coisa e entregar outra, e não estou falando somente dos gráficos, mas também de mecânicas e modos de jogo que nunca chegaram ao produto final, e até mentiras sobre quem seria o protagonista do jogo.

Lembrou de mais algum que não está na lista? Não esqueça de comentar 😉

1. Dragon Age Origins

Apresentado em 2014, lançado em 2009

Origins é, muito provavelmente, um dos melhores jogos da BioWare e um dos melhores jogos de RPG de todos os tempos. Seu fascinante universo, seus excelentes personagens e mecânicas bem-acabadas o puseram em um patamar alto.

Todas essas qualidades, porém, não justificam o fato de que o trailer lançado em 2008 foi na verdade uma grande mentira, mostrando um conceito de jogo completamente diferente do que foi o produto final, cujo sistema de combate poderia ser definido com zero de adrenalina.

2. Rainbow Six Siege

Apresentado em 2014, lançado em 2015

Depois de alguns lançamentos que pouco tinham a ver com a origem da série, Ubisoft cancelou Patriots e retornou ao clássico da guerra ao terror.

O jogo final ficou bom, mas sem dúvidas houve uma grande mudança nos gráficos comparando com o vídeo apresentado na E3 2014.

Como em vários jogos da lista, os conceitos e mecânicas fundamentais estão presentes no jogo final, mas o nível de detalhes dos cenários e personagens, o fantástico sistema de destruição, e inclusive toda adrenalina dos combates…tudo isso ficou somente nos trailers.

3. Dead Island

Apresentado em 2011, lançado em 2013

Um dos trailers mais “marqueteiros” dessa lista é o de Dead Island, que quando nos foi apresentado deu a entender que o jogo teria um alto conteúdo emocional.

Anos atrás, Gears of War começou com a moda de usar músicas lentas para inserir um pouco de emoção em jogos com zero emotividade, e Dead Island, com um estúdio especialista em trailers, curtiu a ideia nos fazendo um grande desfavor.

Dead Island não foi um jogo ruim, muito pelo contrário, foi uma ótima mistura de RPG, ação e survivor horror, mas, convenhamos, não teve nada a ver com o trailer de apresentação.

4. Bioshock Infinite

Apresentado em 2010, lançado em 2013

Igualmente amado e odiado, o último jogo de Ken Levine sem dúvidas mudou muito da primeira vez que o vimos até o lançamento definitivo.

Os poderes de Elizabeth, os inimigos (seus ataques e desenhos), e até o icônico Songbird foi modificado no jogo final.

Durante os primeiros anos (2010 e 2011), Elizabeth tinha poderes que pareciam mais bruxaria que outra coisa, e tudo parecia indicar que os “tears” seriam fundamentais no desenvolvimento. O mundo que foi mostrado nos primeiros trailers parecia muito mais aberto que a versão de 2013, e Songbird nunca esteve à altura dos Big Daddies, já que não era uma ameaça constante.

5. Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty

Apresentado em 2000, lançado em 2011

Muitos ficaram de queixo caído depois de ver o trailer inicial de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty. Tecnicamente o jogo parecia impressionante, e as mudanças no sistema de combate e mecânicas de furtividade o colocavam anos luz afrente de seu antecessor.

O jogo cumpriu com todas as promessas da apresentação inicial, exceto uma: o protagonista.

Durante os 10 minutos de vídeo nunca vemos Raiden, e tudo parece indicar que voltaríamos a controlar Snake durante a aventura. Inclusive na demo lançada nos permitia jogar o prólogo com Snake.

Porém a grande trolada da Kojima se tornou realidade quando tivemos em mãos o jogo e nos damos conta de que na realidade iriamos ter que aguentar o loiro emo por algumas horas de jogo.

6. Killzone 2

Apresentado 2005, lançado em 2007

Foram tempos difíceis para a Sony, quanto teve que mostrar que seu console, muito mais caro do que o concorrente, valia a pena.

Para isso, preparou um par de trailers incríveis para os jogos que viriam. E obviamente a versão final de Killzone 2 não era tão incrível assim. Os modelos de pessoas e as texturas eram de qualidade inferior. Mas foi a atitude da empresa que marcou o jogo, uma vez que ela afirmou de forma literal que o conteúdo mostrado no trailer era real.

7. Watch Dogs

Apresentado em 2012, lançado em 2014

O primeiro jogo que consideramos de “nova geração” acabou deixando uma mancha na reputação da Ubisoft, com a qual a empresa ainda sofre.

Aqueles 10 minutos de Watch Dogs nos venderam um mundo vivo, uma cidade detalhada, uma história sombria que lidava com elementos fundamentais como a privacidade. Graficamente, naquela apresentação, o jogo estava incrível, e parecia que teríamos o controle do mundo na palma da mão.

Sendo justo, grande parte dos elementos apresentados estavam no jogo (mesmo que não fossem tão divertidos quanto parecia), mas a qualidade gráfica caiu tanto que virou piada internacional.

Watch Dogs foi a primeira amostra de que a nova geração de consoles não representava o fim dos vícios da indústria, e sim novas formas de disfarçar produtos medíocres para os usuários.

8. No Man’s Sky

Apresentado em 2014, lançado em 2016

Chegamos em No Man’s Sky. O filho pródigo das falsas expectativas, e obviamente a razão pela qual fiz essa lista. Cada um terá sua própria opinião sobre No Man’s Sky, mas é inegável que o jogo final pouco tem a ver com a majestosa obra do primeiro trailer, que prometeu um ecossistema crível e bem desenvolvido.

A versão que chegou ao PlayStation 4 e ao PC se limita a tirar um par de espécies feias de animais no meio de um planeta pouquíssimo atrativo.

O estúdio, na ocasião do anúncio, não havia especificado as mecânicas, mas nos entregou um um vídeo nitidamente criado por marketeiros, passando-se por gameplay. E o pior é que até o hoje a Hello Games oferece esse vídeo como uma amostra do jogo.